quinta-feira, agosto 22, 2013

Gráfico Do Crescimento


Saudade de quando éramos vagabundos. O tempo sobrava e a única dificuldade era financeira. 

Saudade de interesses mútuos, da vivacidade, da liberdade, da falta de empecilhos e da virtualização em pequena escala.

Saudade de quando o ânimo despertava e o corpo reagia. Hoje nossos corpos são frágeis. Esqueletos de vidro. 

O gráfico do crescimento é tão irônico. E brusco!


domingo, junho 09, 2013

Meu Crime


Cometi um crime hediondo. Pratiquei um homicídio culposo e, com isso, arruinei o meu patrimônio mais precioso: a minha vida.

Meu advogado de defesa me ludibriou, aquele falsário! Apresentou-me vários álibis, mas lá no fundo, eu sabia que teria que pagar pelo meu erro equivocado e estúpido. Pratiquei tal ato porque fui coagida, estava no meio de um labirinto. Como não achei a saída, o tempo me pressionou, então fui obrigada a abrir um caminho a machadadas. E o inferno começou.

Fui condenada a oito anos em regime fechado. Fui submetida a torturas programadas, choques elétricos e lavagens cerebrais, sendo que dessa última, eu sempre conseguia escapar. No presídio fiz alguns amigos e os levarei para sempre comigo. Assim espero.

O dia mais feliz foi quando cumpri toda a minha sentença e recebi o meu certificado de liberdade. Enfim, alforriada!

E agora, o que eu faria com toda essa liberdade grandiosa que finalmente recuperei? Pois bem. Senti a necessidade de passar por um período sabático, a fim de recuperar o equilíbrio perdido ao longo daqueles anos. Não se tratava de um estado letárgico nem catatônico. Eu precisava alinhar os meus chacras e limpar a minha aura. Precisava de momentos pacíficos para criar coragem e lidar corretamente com a minha vida, sem causá-la danos irreversíveis.

quinta-feira, maio 16, 2013

Devaneios


Quando criança, olhava para o céu e insistia em subir numa super escada para adquirir um pedacinho azul, como se o céu fosse um enorme bolo que pudesse ser fatiado facilmente.

Sempre quis apalpar o céu. Queria caminhar sobre o mar com sapatinhos mágicos para tocar a imensidão celestial e as nuvens fofas, mas no âmago do seu pequenino ser, sabia que era impossível.

O nível do mar era assustador, temia cair e afundar como se tivesse uma enorme bola de ferro amarrada aos seus pés. Não queria ver os peixes iluminados, tubarões e outros animais estranhos.

Gostava de cavar com os pés. Espalhava areia feito um cão faminto procurando o osso enterrado. Aquilo não era uma busca e sim uma descoberta, pois acreditava que tinha um final como tudo na vida. Obviamente, não tinha e o ato de cavar apenas aguçava a sua hiperatividade.

Um dia, a criança cresceu e o desgosto apareceu. Todos os castelos de areia foram destruídos. Nada mais daquilo lhe era atrativo, a praia virou um ambiente desnecessário e fétido. Um poço para insolação e câncer de pele. E então, veio-lhe um devaneio. Por que não substituir a praia por um local mais agradável? No lugar do mar, lindíssimos lagos com vários cisnes. Cisne negro, cisne branco, todos bem pescoçudos e elegantes. A areia seria coberta por um extenso gramado de um verde fabuloso, de encher os olhos. Árvores por todos os lados, cerejeiras e afins. Flores de todas as tonalidades e bem perfumadas. Bancos espalhados para que as pessoas pudessem ler, ouvir música, meditar e relaxar. O momento chill out de cada dia. 

Agora existe somente a velhice.

 

sábado, abril 27, 2013

Animalização

Mostraram os dentes.
Rosnaram.
Dilaceraram um vínculo.
Deram as costas.
Adeus.

Cada um seguiu o seu caminho congelado. Quão perigosa é a animalização.

sábado, abril 06, 2013

A SAGA PÁSSARO


Capítulo IV - Adeus, Pássaro!

É, o pássaro foi embora mesmo e acredito que não voltará. Não tive coragem de fechar a janela da minha varanda. Fui covarde, reconheço, ou talvez eu ainda tivesse esperança de que ele voltasse a ser como antes, uma ave adorável.

Lembro do primeiro dia em que vi o pássaro. Adentrou minha varanda bem tímido e desconfiado. Fiquei encantada com aquela visita ilustre e decidi cativá-lo. Dei atenção, carinho, alpiste e água. Nunca o coloquei em uma gaiola, seria uma postura altamente egoísta da minha parte.

Ele partia, é fato, mas me visitava com frequência. Adorava quando ele me acordava com seu belíssimo canto. Às vezes ele desafinava e eu caia na gargalhada. Ele levava tudo com bom humor e sorríamos juntos. Ficamos bastante próximos e construímos uma amizade bonita e por que não sincera?

Estava tudo muito lindo para ser verdade e coisas desagradáveis começaram a acontecer. O pássaro começou a ficar insubordinado e suas cantorias tornaram-se insuportáveis. Comia e sujava a minha varanda. Isso quando me visitava! Suas visitas tornaram-se cada vez menos frequentes. Achei tudo isso uma falta de consideração e de educação tamanha. Aí eu explodi! Depois disso, ele parou de me visitar. Não vou negar, fiquei aliviada por ter me livrado da tormenta, mas admito que sinto saudades do meu amigo pássaro. Sei que ele não vai voltar e, sinceramente, não quero que ele volte. Não fechei a porta da varanda, pois ela estará sempre à disposição de outros pássaros e demais visitantes. Eu fechei a porta da minha vida para aquele pássaro. É preciso saber dizer adeus.


terça-feira, março 19, 2013

A SAGA PÁSSARO


Capítulo III - O Retorno Do Pássaro

O pássaro voltou. Dessa vez, trouxe um amigo. Cantarolaram uma sinfonia irritante, um verdadeiro prelúdio do inferno. Fiz o meu papel de ouvinte, mas dessa vez fui um pouco malvada. Não coloquei alpiste! Os pássaros se revoltaram e cagaram com fúria. Sujaram até a minha sala! Depois deram as costas e alçaram vôo. Espero que não voltem mais! Mas pássaros são desavergonhados e sempre voltam como se nada tivesse acontecido. E quem limpa a imundície? A besta aqui! A besta Louise, que já garantiu uma nuvem super fofinha no céu. E ainda dizem que sou má.


sábado, março 09, 2013

A SAGA PÁSSARO


Capítulo II - Lá Vem o Pássaro

É a velha iminência de bosta. O pássaro abre a gaiola, vai embora, volta, canta uma música insuportável e ainda caga na minha varanda. E quem vai limpar? Com certeza, não é o pássaro. 

Não adianta botar uma placa de proibição. Pássaro não entende. Terei que comprar um estilingue ou fazer um espantalho para manter a minha varanda limpa?




quinta-feira, fevereiro 28, 2013

A SAGA PÁSSARO


Capítulo I - Amigo Pássaro

Você já teve um amigo pássaro? Certamente. Todos já tiveram, se não teve, um dia terá. Amigo pássaro não vive em gaiola. Ele simplesmente abre a portinha, se despede e tchau. Às vezes volta numa migração de pássaros e você fica feliz por aquelas aves guiarem seu amigo, trazendo-o de volta. Quando isso não acontece, resta apenas a saudade. Falta não, pois ela é prejudicial. Mas você acaba ficando feliz e diz: VAI!, pois sabe que seu amigo tem a probabilidade de ser feliz, desviando sempre dos estilingues da vida, é claro. É uma via de mão dupla. O problema surge quando todos os seus amigos são pássaros e nem todos voltarão um dia, pois perdem-se em caminhos tortuosos.


segunda-feira, fevereiro 04, 2013

Ciclos

Tudo é perecível na Internet. Temos que aceitar e fechar os ciclos. Eutanásia, sabe? Antes de desligar os aparelhos, criei um baú cibernético. Quero guardar uma pequena lembrança de todas as fases da minha vida em um baú e desde já, agradeço a todas as amizades surgidas a partir de ferramentas. Se não somar, some. A vida é assim.